Avisos Paroquiais
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DR. WILSON SALGADO FILHO, O MÉDICO DO CORAÇÃO FALA SOBRE A SAGRADA FAMÍLIA

27/12/2009
 

LITURGIA / ANO C

 FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA

27 / DEZ / 2009

1a Leitura - Eclo 3,3-7.14-17: Quem teme o Senhor, honra seus pais.// 2a Leitura- Cl 3,12-21: A vida da família no Senhor.// Evangelho- Lc 2,41-52: O menino crescia cheio de sabedoria.//

A festa da Sagrada Família, fixada pela liturgia em pleno clima natalício, põe em evidência que o Filho de Deus vindo ao mundo quis inserir-se em um núcleo familiar. É a Sagrada Família proposta pela Igreja como modelo de toda família cristã. Primeiramente, pela supremacia de Deus profundamente reconhecida na casa de Nazaré. Deus está sempre em primeiro lugar, tudo lhe é subordinado! O sofrimento é abraçado com profundo espírito de fé. Vêem em cada circunstância a manifestação de um plano divino, embora muitas vezes envolto em mistério. As vicissitudes mais ásperas e duras não perturbam a harmonia, justamente porque tudo é considerado à luz de Deus, porque Jesus é o centro dos afetos, porque Maria e José gravitam em torno dele esquecidos de si, totalmente associados à missão dele. Quando a vida de uma família é inspirada em semelhantes princípios, tudo corre em perfeita ordem. A obediência a Deus e às suas leis leva os filhos a honrarem os pais, estes a amarem-se e compreenderem-se mutuamente e a quererem bem aos filhos, educando-os em um clima de amor e confiança. As leituras bíblicas desta festa destacam de modo especial, dois pontos de suma importância. O respeito dos filhos para com os pais: "O Senhor quer honrado o pai pelos filhos. Quem honra o pai, expia os próprios pecados; quem respeita sua mãe é como quem acumula tesouros. Filho socorre teu pai na velhice. Não o desgostes durante a sua vida" (1a Leitura).

 O outro ponto traz São Paulo na carta aos Colossences: trata-se do amor mútuo que deve fazer da família cristã, a comunidade ideal. "Irmãos, revestí-vos de profunda misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade, suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente" (2a Leitura).

A celebração natalina adquiriu sociologicamente ao longo dos séculos, uma nítida conotação familiar. É inegável que Deus escolheu revelar-se no seio de uma família. O Deus "família" que é a Trindade, criador da família humana como sua imagem e semelhança (Gn 1), se manifesta ao mundo na Sagrada Família de Nazaré. A liturgia de hoje apresenta esse modelo evangélico, enriquecido com a sabedoria anterior a Cristo (1a Leitura) e a de São Paulo (2a Leitura), referente às primeiras comunidades cristãs. Hoje é, portanto, uma data muito oportuna para uma reflexão valorosa da família no plano de Deus, que se projeta na mesma vida da Igreja e da sociedade humana. O homem necessita de um ambiente propício onde possa desenvolver sua potencialidade e tornar-se pessoa. E o meio pode realmente impedir-lhe tal conquista, pelo menos, uma boa parte dela. Cada ser humano adquire a "forma" do ambiente em que é criado. Assim, é modelado na brutalidade ou no orgulho racial, na ânsia por dinheiro ou na ambição das honras e poder, ou simplesmente nas características de seu contexto cultural.

O Evangelho põe em relevo a inconfundível fisionomia espiritual da Sagrada Família. Maria e José ao apresentarem Jesus no Templo, mais do que cumprir uma formalidade segundo a lei judaica, renovaram a Deus a oferta de sua submissão. Com este espírito, abraçarão os dois esposos todas as tribulações de sua não fácil vida no encargo de educar o filho para a missão que o Pai lhe confiou. Situação que exige de ambos o máximo desinteresse e dá à vida deles sentido de serviço total a Deus, em íntima colaboração com a obra salvífica do filho. Em nossos dias são muitos os fatores que condicionam a vida em família, podendo eventualmente distorcer a educação e formação dos filhos.

 O avanço do secularismo é acompanhado pelo materialismo que afoga a fé, levanta os ídolos "do poder, do dinheiro e do prazer", corrompendo as pessoas e destruindo progressivamente a fortaleza das famílias. Na estrutura atual, primam as relações horizontais e democráticas dentro da família. Mais que o princípio de autoridade ‘do cabeça’ de família ou dos pais, dá-se preferência ao diálogo e à co-responsabilidade. Entretanto, se não estiver alicerçada no amor cristão, é bem difícil que a família persevere na harmonia e na unidade dos corações. Pedimos hoje, de modo muito especial à Sagrada Família por cada um dos membros de nossa família, e pelo mais necessitado dentre eles.

 [Fontes: "Palavra de Deus e Nova Evangelização" e "Intimidade Divina" / adaptação: Wilson]

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