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DRº WILSON SALGADO FALA DO 5º DOMINGO DA QUARESMA DE 2010

21/03/2010

LITURGIA / ANO C - V DOMINGO DO TEMPO DA QUARESMA - 21/MAR/2010* Libertos em Cristo!

1a Leitura - Is 43,16-21: Eis que eu farei coisas novas, e as darei ao meu povo.// 2a Leitura - Fl 3,8-14: Considero tudo como “lixo”, para ganhar Cristo e estar com ele.// Evangelho - Jo 8,1-11: Quem dentre vós não tiver pecado seja o primeiro a atirar-lhe a pedra! // Propõe a liturgia neste domingo o enfoque da libertação do pecado. Apesar de tal libertação ter sido merecida de uma vez para sempre e para todos por Cristo, deve ainda consumar-se para cada ser humano em particular, porque durante toda a vida, homens e mulheres sempre estão expostos a tropeçar e ninguém pode considerar-se “impecável”. Para libertar o povo do cativeiro da Babilônia (1a leitura), Deus promete realizar novos e maiores prodígios: “Eis que eu farei coisas novas… abrirei uma estrada no deserto e farei correr rios na terra seca, para dar de beber a meu povo”. Ultrapassando a dimensão histórica de Israel, a profecia é também interpretada à luz sobrenatural em que Deus oferecerá não a estrada material, mas seu Filho para ser o “caminho”; não literalmente a água para saciar gargantas ressequidas, mas a ‘água viva do Espírito Santo’ para saciar a sede de infinito.

 São Paulo, na 2a leitura, encoraja o cristão a evitar tudo que o afasta de Deus, considerado como “lixo”, a fim de ganhar a Cristo’. Requer tal caminho sempre novas superações e libertações do pecado para adesão mais profunda a Jesus, como é narrado no episódio da mulher adúltera (Evangelho).

A lei de Moisés era bem clara em tais casos: ‘Se um homem cometer adultério com a mulher de seu próximo, o homem e a mulher serão punidos com a morte’ (Lv 20,10; Dt 22,22-24). A pena prevista era geralmente o apedrejamento. Este caso de solução aparentemente tão fácil, onde a aplicação da lei não deixava dúvidas, é apresentado a Jesus. Mas o relator menciona a intenção de seus interlocutores: ‘Eles assim diziam para pô-lo à prova, a fim de terem matéria para acusá-lo’. Jesus era conhecido como “amigo dos pecadores”. Como agiria agora quando a Lei era tão explícita? Não se tratava de uma consulta ao mestre Jesus, mas de uma cilada. Se respondesse em favor da mulher estaria infringindo a lei! Se respondesse contra a mulher, mostraria que não era tão amigo assim dos pecadores. A reação de Cristo é descrita no versículo 6: ‘Jesus inclinando-se escrevia na terra com o dedo’. Não é dito o que Jesus escrevia. Mas este gesto poderia ter sido interpretado por seus interlocutores, até como uma atitude que sugere certo descaso. Os escribas e fariseus insistem, eles querem forçar Jesus a tomar uma posição. A resposta de Jesus é totalmente inesperada: ‘Quem dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro a atirar uma pedra’. Os acusadores começam a ir embora e o texto acrescenta, com certa ironia, ‘a começar pelos mais velhos’. Jesus não se deixa fixar na armadilha de um dilema. Perante os acusadores ele não decide entre a misericórdia e a ‘justiça justiceira’. Não aceita ser examinado, mas torna-se ele mesmo examinador e juiz, não da mulher adúltera, mas dos seus acusadores impenitentes. Em lugar de se deixar citar perante as acusações dos fariseus, Jesus inverte o jogo e coloca todos diante do tribunal de Deus. Jesus não ‘desculpa’, isto é, não atenua a culpa da mulher e dos seus cúmplices, mas reconhecendo a gravidade do mal e a seriedade do arrependimento ele perdoa:- ‘Nem eu te condeno… Vai, não tornes a pecar’ (Jo 8,11). Devemos condenar o pecado, o nosso e o alheio; porém devemos amar o pecador. Dentro dessa compreensão e caridade, cria-se o espaço onde o pecador poderá encontrar a bondade de Deus. ‘Sede misericordiosos; não julgueis, e não sereis julgados; perdoai e sereis perdoados, porque com a mesma medida sereis medidos vós também’ (Lc 6,36-38). A cena evangélica deste domingo nos apresenta a mulher acusada que fica sozinha diante de Jesus. Contra o legalismo dos judeus, Jesus poderia alegar outra citação da Escritura: ‘Deus não quer a morte do pecador, mas a sua conversão, de modo que ele retorne e tenha a vida’ (Ex 33,11). No entanto, Ele faz muito mais, expondo todos à face santa de Deus. ‘Mulher, não peques mais!’ Perdão é dom divino. No sacramento da reconciliação, renova-se em cada cristão o gesto libertador de Cristo, que confere ao ser humano a graça de se afastar do pecado e de perseverar na constante luta terrena, para não mais pecar! [Fontes: ”A Palavra de Deus no Anúncio e na Oração” e “Intimidade Divina”- adaptação: Wilson].

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