Avisos Paroquiais
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5º DIA DA NOVENA DE NOSSA SENHORA DA SOLEDADE

15/09/2011

Nosso quinto dia da Novena foi marcado pela presença do Pe Antonio Carlos Frizzo da Diocese de Guarulhos que nos falou sobe a leitura da Bíblia e a nossa missão. Estiveram presente também os diáconos permanentes da Região Pastoral IV, Carlos Firmino, Isomero Nogueira, José Carlos, Luis Wanderlei da Cruz e Silvio Simão dos Santos . Confira a Homilia do Pe Frizzo:

A forma de se ler a Bíblia por si só não determina o resultado. Determinante é a perspectiva em que ela é lida. Os sacerdotes, Jesus, escribas e fariseus liam as escrituras praticamente com a mesma metodologia, mas discerniam sentidos diferentes porque liam com perspectivas diferentes. Jesus buscava uma Palavra de Deus que fosse Boa Nova para os pobres e excluídos, e a leitura oficial defendia e legitimava as instituições e as hierarquias acima da justiça social e do direito dos pobres. Assim, por exemplo, temos o Pastor de Hermas, Basílio de Cesaréia, Gregório Nanzianzeno e, sobretudo João Crispostomo, que nos inícios do cristianismo, fazendo uma leitura que chamaríamos de literalista, posicionaram-se ao lado dos pobres e congtra os poderosos. No final da idade Média, a Bíblia era traduzida e lida desse mesmo jeito em diversos movimentos massacrados como hereges, como bogomilos, cátaros, albigenses, begardos. Seguem-se a eles Pedro Valdo, Joaquim de Fiore, Francisco de Assis, John Wycliff e os lolardos e hussitas. Também não era outra a leitura dos reformadores Lutero, Zwinglio e Calvino, que mesmo em diversos aspectos sendo revolucionários, não estiveram tão próximos dos camponeses e pobres como Karlstadt, Thomas Muntzer, os anabatistas e moravianos. Nas Américas, mais ou menos nessa época, figuras como Pe Antonio de Montesinos e o Frei Bartolomé de lãs Casas liam a Bíblia em solidareidade com os indígenas. Mesmo mais tarde nos processos revolucionários que originaram os Estados unidos da América e que sacudiram a Europa, a Bíblia, mesmo lida de modo que hoje chamaríamos de fundamentalista, esteve presente.Parte da leitura bíblica latino-americana vem dessas fontes, ela resgata o compromisso com as lutas das pessoas empobrecidas, marginalizadas e oprimidas. Lê a Biblia nessa perspectiva. Foi forjada nos fins da década de sessenta, na luta contra o domínio  das ditaduras militares a serviço das elites nacionais e estrangeiras que há séculos sugavam “as veias abertas da América Latina”. Acalentada pela esperança de camponeses e camponesas que resistiam ao avanço do latifúndio, nos sindicatos e nas associações de moradores de favelas e bairros pobres, inchados pelo contingente de pessoas expulsas do campo, ela é filha das pastorais e das comunidades eclesiais de base que surgiram aí dentro. Nas comunidades dos pobres, de mãos dadas com sua irmã gêmea, a teologia da libertação, a Leitura Bíblica Latino Americana, inicialmente partindo da apropriação quase literal de uma seleção de textos bíblicos, por um lado, irá integrando as contribuições do método Histórico-Crítico e da Leitura Sociológica da Bíblia, e por outro, irá colocar a Bíblia na mão dos pobres, para que eles a partir de sua realidade a leiam. É desse chão que nasce talvez a mais bela flor da Leitura Bíblica Latino-Americana, a “Releitura Bíblica”, a “Leitura Popular da Bíblia”, ou a “Leitura da Bíblia a Partir dos Pobres”.A Leitura Popular da BíbliaEssa leitura é muito bem ilustrada por uma história contada pelo Frei Carlos Mesters: “numa pequena comunidade de agricultores bom pobres, foi lido o texto que proíbe comer carne de porco (Lv 11,7-8; Dt 14,8). O povo presente na reunião perguntou: ‘O que Deus tem a dizer hoje a nós por meio deste texto?’ Discutiram o assunto e concluíram: ‘Por meio deste texto Deus nos quer dizer que nós, hoje, devemos comer carne de porco!’ O argumento usado foi o seguinte: “Deus está preocupado em primeiro lugar com a vida e saúde de seu povo. Ora, carne de porco, quando não é bem tratada pode dar doença e provocar a morte. Por isso, naquele tempo da Bíblia, Deus proibia o povo de comer carne de porco. Mas nós hoje já sabemos como tratar essa carne. Ela não prejudica mais nossa saúde. Além disso, ela é a única carne que temos para comer. Se não comemos dessa carne, estaremos prejudicando a vida e a saúde de nossos filhos. Por isso, hoje, Deus nos manda comer carne de porco. É para ser fiel a Deus’”. É uma leitura que tem os pobres como intérpretes. O texto é incorporado à sua vida e sua vida ao texto. O texto é percebido como fruto de uma comunidade que luta pela vida, que crê em um Deus da vida. Para eles a Palavra de Deus não está nas letras das escrituras, mas na leitura das escrituras que atualiza a ação salvifica, protetora e libertadora de Deus para com os pobres, que permita que eles também experimentem essa presença e essa ação que fundamentam a fé de Israel e de Jesus.Esta leitura, no entanto, exige que tenhamos também uma profunda compreensão do processo que originou a Bíblia e do que entendemos por Revelação, Inspiração e Palavra de Deus. Em outras palavras, é necessário ter a compreensão de que tanto o processo que deu origem à Bíblia, como a própria Bíblia e também sua leitura ao longo da história até hoje, sempre acontecem no campo histórico, político e que em todos estes momentos Escritura e Política estão profundamente imbricadas. 1-            Nós ainda não conseguimos formar pessoas livres, responsáveis, conscientes. A idéia de que nós criamos a história e de que cada um contribui para escrever esta história é sumamente importante para ajudar as pessoas a crescerem. Pessoas livres, pessoas francas – isso deveria existir também na Igreja: no meio da comunidade eclesial deveria haver mais possibilidade de ser franco e de opinar, de não ter medo. Existe um certo analfabetismo que não consiste apenas em não saber ler e escrever, mas em não possuir um senso crítico da vida.”2-            Devo mencionar uma das grandes tendências mundiais que é o do ‘secularismo’, que é a visão do mundo e do homem que exclui a necessidade de recorrer à transcendência ou à religião para fundmentar as instituições sociopolíticas. Devemos manter a noção cristã de ‘encarnação’, isto é, a crença de que nós comtemplamos a graça, a verdade e a glória da divindade ligada à humanidade, de que deus mesmo armou sua tenda em nosso meio”3-            “Outra tendência mundial é a do ‘relativismo ético’: inúmeras pessoas hoje consideram as noções de ‘certo’ e ‘errado’, de ‘bem’ e ‘mal’ passíveis de interpretações subjetivas. Alguns chegam a negar qualquer possibiliade e afirmar valores universais. Devemos procurar visar melhor o equilíbrio, a harmonia entre a normatividade objetiva – válida para s coletivos humanos – e as máximas subjetivas, válidas para minha conduta particular”.4-            Estamos diante do desafio de repensar, na América Latina, a tal da ‘globalização’. Pois, simultaneamente à globalização das estruturas econômicas ocorre a imposição global e uma única cultura materialista e consumista que está suplantando, lentamente, as diversas culturas tradicionas dos povos”.5-            “Ao invés de um consumismo acrítico e desenfreado, necessitaremos promover uma distribuição equitativa dos bens deste mundo. Este desafio nos remete à doutrina social da Igreja, a qual poderá fornecer alguns princípios básicos para um engajamento nesta direção... Paz e tranqüilidade serão frutos de um esforço maior por justiça social. Devemos ser capazes de globalizar a solidariedade, de fazer das necessidades dos que mais sofrem a pauta principal dos grandes encontros políticos. Lemos em Atos dos Apóstolos, cap 4: ‘Não havia necessitados entre eles’, o que poderia ser um principio ético muito precioso, uma meta para toda a humanidade perseguir rumo a uma maior unidade de integração”.6-            “Nós, católicos, devemos ser muito mais divulgadores do Evangelho social! É claro que a situação econômica social tão discriminatória depende, em grande parte, dos governos, dos empresários, dos banqueiros etc., ma sdepende – talvez em escala menor – também de nós, da Igreja Católica! Os cristãos católicos não evangelizam como deveriam evangelizar”.7-            “Precisamos refletir – filosoficamente, teologicamente, não importa! – contanto que nossa reflexão seja guiada por problemas e realidades bem concretas. Devemos ser capazes de perceber e interpretar os sinais dos tempos. Consequentemente a nossa maneira de evangelizar deve ser a do engajamento e do diálogo (escutar mais e falar menos), que, no fundo, significa testemunho. Evangelizar que dizer dar testemunho de uma vida mais autêntica – a vida em Cristo, a vida na Graça”.Comissão temática do MFPC – CE

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